Professor Lucas Berlanza – Formado em Comunicação social/Jornalismo pela UFRJ, editor do site Boletim da Liberdade, presidente da Diretoria Executiva do Instituto Liberal, sócio benemérito do Instituto Libercracia e autor dos livros “Lacerda: A Virtude da Polêmica” e “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno Brasileiro”. Docente dos cursos Os Fundadores: o projeto dos responsáveis pelo nascimento do Brasil e Introdução ao Liberalismo.

Por que os personagens do processo de Independência do Brasil devem ser lembrados? De que forma eles se mostram importantes no desenvolvimento do país?

Existem dois ângulos pelos quais esses personagens se revestem de importância. Primeiro, o próprio cultivo da identificação com o país, com a sua história e com a trajetória através da qual ele se constituiu. O segundo motivo importante é o fato de que as reflexões que essas figuras trouxeram sobre o país no tempo delas permanecem sendo reflexões, podendo nos orientar e servir de exemplo diante dos desafios do presente.

Nesse ano, celebramos o bicentenário da Independência do Brasil. Qual foi o principal ideal em comum para que os principais personagens desse marco batalhassem pela emancipação?

O que motivou todo mundo a lutar pela emancipação foi o fato de que as cortes lisboetas estavam reduzindo o Brasil a um patamar anterior ao que ele já havia conquistado, o patamar de Reino Unido. Então, eu diria que o que unia a todos é a preocupação de que o Brasil fosse rebaixado a uma posição subalterna, fosse subjugado, o que faria com que processos judiciais só pudessem ser resolvidos cruzando o oceano Atlântico. Isso faria com que algumas províncias do então Reino do Brasil fossem dominadas por governos militares, então esse perigo do rebaixamento do status do Brasil era motivo comum a todas essas pessoas.

De que forma o liberalismo se associa ao conceito de democracia?

O conceito de democracia é mais antigo do que o liberalismo. O liberalismo tem como preocupação central proteger a esfera do indivíduo e, consequentemente, a esfera das minorias do arbítrio. Arbítrio que pode vir de oligarquias, pode vir de ditadores, mas também pode vir de maiorias. E isso gera uma certa tensão natural entre o liberalismo e a democracia. Entre os séculos XIX e XX, foi feito um esforço para associar a ideologia liberal com a proteção do indivíduo, com o critério da escolha majoritária daqueles que ocuparão os cargos dentro do estado e dentro do sistema representativo. Esse esforço de casamento entre essas duas ficou conhecido como “democracia liberal”.

Como surgiu a ideia de elaborar os cursos? Qual a importância de se estudar os temas abordados?

Em parceria produtiva entre a Almedina, a Euskera Educação e o Instituto Liberal, desenvolvemos a ideia desses cursos, que são não apenas adaptações dos livros, eles têm conteúdos próprios. Sobre Introdução ao Liberalismo, o livro é bastante diferente do curso, porque o livro era uma coletânea de artigos de diferentes autores, enquanto o curso traz uma visão mais abrangente das diversas escolas do liberalismo e também da relação do liberalismo com outras correntes políticas, com outras visões sociais. Não é fácil enraizar o liberalismo, a liberdade individual é uma conquista recente da humanidade. Diante desse cenário, se torna cada vez mais importante que haja mais pessoas conscientes do poder que essa tradição de pensamento tem de multiplicar a prosperidade.

Os Fundadores segue uma linha mais fiel ao livro, que é inteiramente escrito por mim, mas também traz contributos originais. Eu dou destaque ao que veio depois dessa fundação do Brasil, a atuação desses personagens e como o legado deles segue tendo importância no período subsequente. Acho que trazer as lições deles para a atualidade e confrontá-las com os problemas que nós enfrentamos no quadro contemporâneo é outra afinidade do estudo dessas figuras e do que elas pensaram e fizeram.

Por Euskera Educação

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